© Hermetof Pictures

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3,5 estrelas

Já começa a ser habitual ver actores conceituados e já com alguns anos de carreira a experimentar o sabor da realização, mas o projecto que Ralph Fiennes escolheu para a sua estreia como realizador foi invulgarmente ambicioso. Levar ao grande ecrã uma peça de Shakespeare é sempre um desafio, mas fazê-lo envolvendo o texto num contexto actual é um acto de coragem. A ideia não é nova, e Baz Lhurman até o fez com bastante sucesso no musical “Romeu + Julieta”, mas ainda assim, cada adaptação é uma surpresa.

Coriolano” tem uma narrativa com traços clássicos, mantendo não só a história, como o tipo de linguagem original. Ralph Fiennes, que acumula funções como protagonista, é Coriolano, um general de Roma com elevados níveis de testosterona que encontra em Aufidius o único rival que está à sua altura e por quem desenvolveu um ódio sem paralelo. No entanto, depois de ser banido da cidade pela qual combateu, decide juntar-se ao seu arqui-inimigo numa procura de vingança contra Roma.  

Este é um filme de guerra e sangue, de política e os seus jogos, de leadade e traições, de honra e vingança. Embora seja  um pouco violento no conteúdo é, embora não sendo explícito, especialmente violento na forma, e por isso não apropriado aos espectadores mais sensíveis. Um dos aspectos mais interessantes do filme é notar que, mesmo com a linguagem arcaica, que no ínicio se estranha mas que depois se entranha, é possível ver algumas analogias com a situação economico social e talvez até algumas críticas, tal como a facilidade da manipulação da opinião pública.

Apesar de no final se sentir que a história se arrasta perdendo o seu fulgor inicial, o filme envolve o espectador muito graças ao desempenho que roça, em momentos, uma dimensão demoníaca, de Ralph Fiennes e da performance de alguns dos actores secundários, com especial ênfase para Vanessa Redgrave que aqui representa a mãe de Coriolano.

Será então “Coriolano” conseguiu ser um desafio superado? Na nossa opinião, sim! Não sendo um filme grandioso, acaba por conseguir fazer funcionar o inglês de Shakespeare num contexto de metralhadoras, estúdios de televisão e reuniões de estado! Esperamos por isso, os próximos filmes com Ralph Fiennes por trás das câmaras.

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