© Warner Bros.

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Sete anos após ter ressuscitado o icónico Batman para o grande ecrã, o realizador Christopher Nolan termina a sua epopeia com o muito aguardado “O Cavaleiro das Trevas Renasce”. É o culminar de uma trilogia que certamente ficará para a história do cinema, pela ambição, pelo arrojo, pela grandiosidade, mas sobretudo pelo enorme sucesso junto do público.

Em meados de 2008, quando o realizador britânico chegava as salas com “O Cavaleiro das Trevas Renasce”, não era certo que regressasse para um terceiro e derradeiro capítulo. Mas o filme superou todas as expetativas, tanto pela qualidade do mesmo como pelo extraordinário sucesso comercial. Tornou-se não só o filme mais rentável do ano, mas também um dos mais rentáveis de sempre. Era portanto inevitável o surgimento de “O Cavaleiro das Trevas Renasce” que retoma a história oito anos após os fatídicos acontecimentos do filme anterior.

Gotham City vive agora dias de aparente tranquilidade, com os malfeitores atrás das grades. Bruce Wayne, por seu turno, também vive enclausurado. Profundamente debilitado depois do caótico confronto com Joker, vive refugiado no último andar da sua mansão. É neste contexto que Bane decide declarar guerra á cidade, disseminando o medo e a destruição.

A partir deste momento verifica-se o típico conflito entre o bem e o mal. Aliás, por mais voltas que se dê, estes filmes de grande orçamento, estes filmes de super-heróis mais concretamente, são todos iguais. Batman, Homem-Aranha, Homem de Ferro vivem no mesmo mundo e contam as mesmas histórias. Por mais ou menos relutantes que sejam os protagonistas, por mais ou menos justificadas que sejam as motivações dos antagonistas, por mais ou menos dramáticos que sejam os romances, por mais ou menos específicas que sejam as críticas sociais, é sempre, sempre, sempre a mesma coisa.

Em relação aos atores, é fácil de perceber que Christopher Nolan voltou a juntar um elenco de luxo, com o regresso dos veteranos como Gary Oldman e Michael Caine, e com a aposta em jovens talentosos como Anne Hathaway e Joseph Gordon-Levitt. No entanto, o destaque vai mais uma vez para o talento de Christian Bale, que continua a ser a força motriz destes filmes.

Uma palavra ainda para Tom Hardy e para o “seu” musculado Bane, numa interpretação muito interessante. Apenas com os olhos a descoberto, o ator consegue criar momentos verdadeiramente tenebrosos. Longe da exuberância e do carisma de Joker, Bane vive numa calma assustadora, no meio da convulsão que gera. No entanto, o desenrolar da história danifica grandemente o estatuto da personagem, que nunca se chega a desenvolver. É importante que neste tipo de filmes o vilão seja imponente, ao nível do herói. Bane deteriora-se ao longo do filme, até desaparecer quase como um “menino chorão”. Os vilões mesmo quando desaparecem têm de ficar presentes na mente de todos.

Em termos visuais, o filme consegue ser tão cativante como os antecessores. Sem desperdiçar balas nem explosões, Christopher Nolan consegue criar cenas de ação portentosas e perseguições inesquecíveis. É este bisturi que faz o realizador destacar-se na realização destes blockbusters. Aliás, não era necessária esta triologia para se perceber o talento de Christopher Nolan, filmes como “Memento” ou “Insónia” já o tinham demonstrado no passado. Mas esta trilogia servirá para o consolidar como um nome de proa no cinema atual.

Em suma, é possível dizer que “O Cavaleiro das Trevas Renasce” não desiludirá, de uma forma geral, as espectativas de ninguém. Tem um argumento um tanto ou quanto esburacado, que deixa muita história pelo caminho, mesmo como as quase três horas de duração. Mas é um digno sucessor das obras anteriores. É, no entanto, uma ousadia achar, que estes filmes algum dia serão mais do que cinema entretenimento, mais do que cinema “pipoqueiro”. Nunca serão, nem têm de ser, porque na sua categoria são de longe os melhores.

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